Para onde vamos?, por Fernando Henrique Cardoso*

Posted on 1 de novembro de 2009. Filed under: Política Nacional | Tags:, , |

A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da terra”, de riqueza fácil que beneficia a poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?
Só que cada pequena transgressão, cada desvio, vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advenha do nosso Príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o país, devagarinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democráticos.
É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista” deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental em uma companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem qualquer pudor, passear pelo Brasil às custas do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?
Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Essa supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Em pauta, temos a transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no orçamento e minguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo TCU. Não importa: no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha casa, minha vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.
Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que tivesse se esquecido de acrescentar “l’État c’est moi”. Mas não esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.
Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições, sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.
Ora dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso, os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil, os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas – mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo antes que seja tarde.

*Ex-presidente da República

Artigo publicado no site Zero Hora

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2703129.xml&template=3898.dwt&edition=13422&section=1012

Anúncios
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

Assim como os velhos coronéis…

Posted on 16 de outubro de 2009. Filed under: Política Nacional | Tags:, , , , , , , , |

Não é de agora que o ilustre deputado Ciro Ferreira Gomes pretende chegar à Presidência da República. O político cearense alimenta este sonho já há um bom tempo.
Em 1998 Ciro Gomes se candidatou pela primeira vez e ficou no terceiro lugar perdendo para FHC e Lula.
No ano de 2002, Ciro se candidatou ao cargo máximo eletivo no Brasil mais uma vez. No começo ele até ia bem em suas campanhas. Afinal qual o brasileiro que não gosta de um discurso demagogo moralista? Indubivitavelmente, Ciro tem uma incrível retórica, talvez por isso ele consigue ter bons resultados nas pesquisas de intenção de voto. Entretanto, o candidato governista, José Serra, percebeu que Ferreira Gomes era ameaçador às suas pretenções políticas e adotou uma postura de ataque ao cearense. Logo veio à tona o verdadeiro temperamento de Ciro Gomes. O mesmo começou a se exaltar de uma maneira nada plausível, demonstrando não ter um perfil de uma pessoa preparada para assumir a Presidência da República, cargo que exige paciência, sensatez e uma boa flexibilidade política.
Pois é, logo a população brasileira percebeu esta escancarada despreparação e o cearense começou a despencar nas pesquisas e acabou por tendo que se contentar com o obscuro quarto lugar no resultado das eleições, longe das expectativas que ele alimentava.
Atualmente Ciro é deputado federal com uma má vontade fora do comum. Ele é um dos parlamentares mais ausentes na Câmra dos Deputados. É bom lembrar que ele se candidatou ao cargo de deputado federal apenas para livrar o seu partido, o PSB, de não atingir o coeficiente eleitoral necessário, caso se isto não acontecesse o PSB passaria a receber uma verba inferior a dos outros partidos que atingissem a tal meta. O partido conseguiu, sendo que ele foi um dos grandes reponsáveis pela marca. Só para escalarecer, Ciro sabia que se candidatando a deputado, seria muito bem votado, assim ajudaria essencialmente o PSB a alcançar o coeficiente desejado e foi o que aconteceu.
Reintero que seu temperamento explosivo, o qual torna-se a ser patético, é sua grande peculiaridade. Exemplo disso podemos ver nestes três vídeos que disponho abaixo a vocês:

É amigos, as imagens são fortes e denunciam um destemperamento anormal.
No primeiro vídeo, Ciro ataca ferozmente a candidatura de Lúcio Alcântara, citando um horrível palavrão em público, ele estava irritado pelo fato de Lúcio ter tornado público as irregularidades encontradas pela CGU na administração dele quando governador.


Neste segundo vídeo, o político cearense se irrita com vaias de correligionários do candidato da situação da cidade de Carnaubal-CE. O deputado que apoiava o candidato da oposição foi a Carnaubal apresentar o novo postulante ao cargo de prefeito ano passado, pois a candidatura do outro indicado havia sido impugnada. O político, dando uma de “machão”, postura típica dos antigos coronéis partiu para o braço contra os cidadãos.


Neste último vídeo, o descontrolado mais uma vez é provocado e não sabe se conter. Ele perde a compostura, após um grupo de pessoas simpatizantes do candidato adversário na cidade de Mombaça-CE o insultá-lo. Mais uma vez, Ciro Gomes parte para a briga com as pessoas.

Agora me respondam, caro leitores, como um homem deste pode ser um Presidente da República?
Ele nem mesmo consegue conter o seu ânimo e resolve as situações embaraçosas de uma maneira selvagem.
É bom lembrar que Ferreira Gomes já desrespeitou ridiculamente o Ministério Público, órgão sério do poder judiciário brasileiro, citando palavrões e frases de baixo calão, este episódio aconteceu na conjuntura da farra das passagens aéreas, da qual ele participou. O último acontecimento político de Ciro foi abandonar o Ceará, para asssumir residência política em São Paulo. Ele esqueceu do povo cearense que ingenuamente nele acredita e passou a ser agora, perante à lei, um político paulista.
Vale salientar, que Ciro Gomes é visto como a segunda opção de Lula para a sucessão presidencial no próximo ano. O presidente tentará fazer um palanque duplo, para assim tentar tirar o máximo possível de votos do candidato oposicionista, que deverá ser Serra ou Aécio.

Por: Luan Holanda

Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

IDH brasileiro estagnado

Posted on 8 de outubro de 2009. Filed under: Notícias Nacionais, Política Nacional | Tags:, , |

Nesta segunda-feira (5), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou o novo ranking do IDH, com base em informações do ano de 2007. O Brasil cresceu(de 0,808 para 0,813), porém pemaneceu estancado na 75° posição, fato que pertubou, de fato, o discusso eufórico petista.
Na última classificação, o Brasil havia ficado na 70° posição, ou seja, nosso país caiu cinco lugares no ranking. Entre 2000 e 2007 a taxa média de crescimento do IDH brasileiro foi de 0,41% ao ano, o que equivale apenas a um quarto do crescimento do país nos cinco anos anteriores. Vale salientar que, no governo FHC, o Brasil obteve um crescimento médio de pouco mais de 1% ao ano.
Como se não se bastasse, o Brasil figura entre os dez países mais desiguais do mundo.
Outro número alarmante em relação ao nosso país é o fator do crescimento econômico entre os anos de 2003 a 2009, o qual segundo os dados levantados pelo PNAD foi relativamente baixo.
O PIB brasileiro ficou na 14° posição entre os países da América Latina. Eis a lista (PIB acumulado de 2003 a 2009):
1- Argentina 63,58%
2- Panamá 57,19%
3-Uruguai 51,87%
4-Venezuela 50,89%
5-Peru 49,23%
6-Costa Rica 41,31%
7-Colômbia 38,71 7%
8- República Dominicana 38,55%
9- Honduras 38,37 9%
10- Equador 34,02%
11- Chile 32,59 %
12- Paraguai 30,67%
13- Bolívia 29,33%
14- Brasil 26,44%
15- Guatemala 26,24%
16- Nicarágua 23,84%
17- El Salvador 21,00%
18- México 19,35%
Depois desta breve análise destes índices, percebemos que está mais do que clara a necessidade do realizamento de políticas públicas inteligentes no Brasil. O povo brasileiro precisa urgentemente de respostas do governo federal para temas com a reforma tributária, a reforma previdenciária e a eficiência da escola pública.
Quero saber se agora o governo federal vai comemorar, como comemorou com a vitória do Rio 2016. Mas também não precisa chorar, o que o povo brasileiro quer é ação!

Por: Luan Holanda

Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...