Escândalos semelhantes, posturas diferentes

Posted on 21 de dezembro de 2009. Filed under: Política Nacional | Tags:, , |

Mais um caso desencadeador de descrédito na política veio à tona nos últimos dias. O mensalão do Distrito Federal foi, indubitavelmente, o maior escândalo de corrupção do ano de 2009. Ficará marcado nos “clássicos” da corrupção brasileira. A imprensa focou o caso com assiduidade e, instantaneamente provocou indignação da população brasileira já descrente com a política pelo simples fato de escândalos como o atual não ser nenhuma novidade, não pelo mesmo grupo político, mas com o mesmo material, o dinheiro público.
Desrespeito com a população? Sim. Mas quais as feridas deixadas pelo mensalão do Democratas de Brasília, além do sepultamento político de José Roberto Arruda? Arruda foi apontado pela Polícia Federal como o chefe da quadrilha que tinha como principal intuito desviar verbas públicas, logo, teve seu nome esculachado nas esquinas pelo Brasil afora e, principalmente, no Distrito Federal. Vale salientar, que Arruda já é reincidente em escândalos do tipo. No ano de 2001, ainda exercendo o mandato de senador e ocupando a liderança do governo no Senado, envolveu-se, juntamente com o então senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), na violação do painel eletrônico do Senado Federal, utilizado na votação que cassou o mandato do ex-senador Luís Estêvão (PMDB). Arruda foi “perdoado” pelo povo e eleito em 2006 para o cargo de governador do Distrito Federal, numa chapa puro sangue encabeçada por ele próprio e pelo seu vice Paulo Otávio, que era até então senador.
A maior ferida moral que o caso Arruda pudesse deixar para a política, sobretudo para o seu ex-partido, era manchar os planos políticos do DEM a âmbito nacional. Tentou-se de forma descarada que essa ferida se alastrasse pelo o DEM nacional, mas o partido deu exemplo de postura perante o caso de corrupção, o qual era encabeçado pelo seu único, repito, único governador do partido. A cúpula nacional do Democratas agiu rápido e pôs na parede o seu único representante de cargo executivo de grande amplitude no país. Deu-se, obviamente, um prazo para que ele se explicasse e armasse sua defesa. Porém, a sua forma de se defender não agradou nem ao partido, nem, muito menos ao povo. A sua expulsão foi articulada pela cúpula nacional do DEM. Porém, José Roberto Arruda, vendo a situação desesperadora que o rondava, preferiu desfliar-se do Democratas, para evitar constrangimentos maiores, e anunciou que não iria disputar as eleições do próximo ano.
Alguns podem vir a argumentar: “mas qualquer agremiação partidária faria isso que o DEM fez!”. Definitivamente, não é bem assim. Vamos aos fatos.
No dia 25 de novembro do corrente ano, o Partido dos Trabalhadores elegeu para presidente nacional o ex-senador sergipano e ex-presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra. A eleição, apesar de possuir seis candidatos, era dada como de “cartas marcadas”, pois o que se viu nos diretórios municipais do partido foi uma obscura orientação para que se votasse em Dutra. Sem contar que o presidente Lula, grão-mestre do PT, apoiava o candidato sergipano. No entanto, o que marcou de fato as últimas eleições internas da sigla foi a volta dos mensaleiros ao comando do PT. Além de José Eduardo Dutra, a chapa eleita contava com oito petistas denunciados pelo mensalão, entre eles o ex-ministro José Dirceu e os deputados federais José Genoino (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou indiretamente a crise do mensalão quando indagado a respeito da composição da chapa vencedora. Na avaliação do presidente, o PT saiu maior da crise.
“O PT hoje está muito maior e muito mais consolidado. Não existe na história da humanidade, na história política do mundo, um partido que, estando no poder, não tenha cometido erros. Aconteceu no mundo inteiro.”, afirmou.

IMPACTOS NAS ELEIÇÕES DE 2010

A grande questão do impacto dos casos de corrupção no voto do brasileiro será perceptível com mais clareza nas eleições do próximo ano. Como os partidos usarão o chamado discurso ético na corrida presidencial de 2010? Fala-se que com o desdobramento do caso do mensalão do Arruda, a oposição perdeu de certa forma um forte argumento, no que se diz respeito à ética. Já o PT pode trazer à tona um discurso centrado em tal tema. Mas será se interessa de fato ao PT trazer esta questão a debate?
O “organizador” dos palanques petistas de 2010 que o diga.

Por: Luan Holanda

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